As empresas têm um papel na promoção de um desenvolvimento equitativo que vai além das suas práticas internas e de seus produtos disponíveis no mercado. Elas são agentes no desenvolvimento de comunidades de seu entorno geográfico e estratégico e, portanto, podem e devem agir de maneira proativa para promover a equidade e a justiça.
A promoção de um desenvolvimento mais justo depende de um olhar amplo sobre a atividade econômica e processo de desenvolvimento, colocando as pessoas no centro das análises. A dimensão de cuidados e sua relação com a atividade produtiva, desenvolvimento local e cadeias de valor ainda não mereceu muita atenção dos projetos e programas de Responsabilidade Social Corporativa (RSC), embora seja fundamental para a promoção da igualdade de gênero e para a melhora dos indicadores de desenvolvimento.
Se programas e projetos de RSC corporativa ainda não buscam atuar de forma deliberada para o reconhecimento e a redistribuição dos cuidados, isso não significa que não haja demanda para esse tipo de iniciativa. Para que isso aconteça, a centralidade dos cuidados precisa ser um objetivo da iniciativa desde a fase de desenho – sob risco da dimensão de cuidados ser ignorada, caso isso não aconteça.
Alguns exemplos rápidos: projetos que tem por objetivo incentivar a inserção econômica de mulheres podem excluir as mulheres mais vulneráveis economicamente se não pensamos soluções para o cuidado de crianças pequenas. Ou ainda, sempre que equipamentos e políticas que garantam o cuidado de crianças não beneficiem também homens, há o risco de reforçar a carga de trabalho não remunerado das mulheres. Programas que apoiem comunidades na construção de infraestrutura podem ignorar a infraestrutura do cuidado, como creches, parques e centros de atividades, se não pensamos nos cuidados como centrais para a economia e para a vida.
Para elaborar programas e projetos de RSC que contribuam para o desenvolvimento de comunidades nas quais as pessoas possam ser cuidadas, a participação das pessoas das comunidades é fundamental. É preciso escutar o que as comunidades – e em particular as mulheres – têem a dizer. É preciso elaborar diagnósticos que sejam capazes de embasar intervenções que tragam soluções para os problemas da comunidade, com a participação das famílias e apoio das empresas e outros parceiros. Para essas e outras demandas, as empresas podem contar com a Cuidemos.
