Acreditamos que um olhar crítico e empático para o trabalho que sustenta a economia e a sociedade – o trabalho de cuidado – é o caminho para construir uma sociedade mais justa e igualitária. Trabalhamos para apoiar empresas e organizações na elaboração, monitoramento e avaliação de políticas e ações de promoção da equidade e da diversidade, com foco nos cuidados.
E como fazemos isso?
– Apoiamos empresas e organizações no reconhecimento e compartilhamento dos cuidados.
– Apoiamos programas e projetos de responsabilidade social corporativa.
– Apoiamos a elaboração de políticas públicas de cuidado.
– Geramos conhecimento para construir uma sociedade que cuida.
Como isso tudo começou?
O ano de era 2020.
Em 30 de janeiro, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou que o surto da doença causada pelo novo coronavírus – a COVID-19 – constituía uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional. Em 11 de março, considerando a rápida disseminação geográfica do coronavírus, o surto foi caracterizado pela OMS como uma pandemia.
Em 12 de março, ocorre no Brasil a primeira morte causada pela COVID-19. Rosana Urbano, de 57 anos, era diarista. Morava na Zona Leste de São Paulo, no Bairro Cidade Tiradentes, uma das regiões mais pobres da capital paulista. Era casada e tinha 3 filhos. Havia deixado de trabalhar há alguns anos para cuidar do filho com deficiência. A confirmação de Rosana como sendo a primeira vítima da COVID-19 no país só aconteceu meses depois, em junho de 2020. Não se sabe exatamente como ela contraiu a doença. O que se sabe é que a COVID-19 atingiu de forma fatal vários membros de sua família após seu falecimento: sua mãe, seu irmão e sua irmã.
O contexto de pandemia nos afetou profundamente. É verdade que estávamos protegidos e protegidas. Adalgisa, em Brasília, trabalhando em ONU Mulheres, e cuidando do pequeno Inácio, seu filho que nasceu um pouco antes desse contexto; Guilherme, em São Paulo, trabalhando no Banco Itaú; Marcia, também em Brasília, dirigindo sua Escola de Kung Fu e trabalhando como consultora de ONU Mulheres. Amigos de longa data, conversávamos e refletíamos sobre como a pandemia trouxe para o centro da agenda de discussão pública uma série de temas anteriormente presentes em nossa sociedade, mas que ganharam urgência nesse contexto de crise sanitária.
Em meio a essas reflexões, o tema dos cuidados emergiu. As medidas tomadas para garantir a segurança sanitária da população impuseram novas formas de organização do trabalho e das atividades de cuidado, revelando antigas tensões. Ficou evidente a persistência em nossa sociedade de um modelo de distribuição de responsabilidades pelos cuidados segundo o qual as mulheres são as responsáveis exclusivas ou principais por essas atividades. A divisão de responsabilidades continua desequilibrada. Tema já conhecido e debatido, mas cujos impactos se tornaram ainda mais profundos no contexto atual. Os efeitos surgiram rapidamente. Neste momento, nos deparamos com uma saída massiva das mulheres do mercado de trabalho, com o aumento do desemprego e da pobreza.
E essa é apenas a ponta do iceberg.
A ausência de um maior equilíbrio na distribuição de responsabilidades pelos cuidados – um equilíbrio que não deve ocorrer apenas dentro das famílias, mas que necessita envolver o Estado e o mercado por meio da elaboração de políticas públicas e oferta de serviços – tem forte impacto sobre nossa organização social, aprofundando desigualdades e estabelecendo uma lógica injusta de exploração. Além disso, impacta a trajetória de desenvolvimento do país, ocasionando um enorme desperdício de força de trabalho.
Diante dessa realidade, a decisão. Precisamos falar sobre cuidados. Precisamos criar um espaço de construção de conhecimento sobre esse tema, e de oferta de metodologias que apoiem a transformação dessa lógica, em direção a uma realidade mais justa, solidária e inclusiva. A partir dessas ideias compartilhadas, e da vontade que sempre esteve presente em nós de trabalharmos e construirmos um projeto conjunto, nasceu a Cuidemos – Consultoria e Treinamentos.
Nada mais simbólico do que o contexto no qual nasce essa empresa. Nesse cenário que demanda tantas medidas de cuidado, fazemos o convite. Vamos falar sobre cuidados? Vem com a gente! Cuidemos!
