Para evitar a paralização total do sistema educacional e a evasão escolar após a eclosão da COVID-19, as escolas foram compelidas a adotar plataformas de ensino à distância como substitutas às aulas presenciais, impedidas de ocorrerem em um momento em que a transmissão da doença já era tida como comunitária. O resultado disso foi a invasão das atividades escolares ao ambiente doméstico, alterando as dinâmicas e as rotinas das casas de estudantes e professora/es.
A pandemia foi também uma grande responsável pela destruição de cerca de 452 mil empregos no setor da educação em 2020, que encerrou aquele ano com saldo acumulado de empregos negativo em aproximadamente 98 mil postos de trabalho, conforme aponta o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O impacto sobre os empregos na educação só não foi maior que o setor de alojamento e alimentação. Além disso, segundo o informe n.5, da Fundação Carlos Chagas, intitulado “Mercado de trabalho de professores durante a pandemia no Brasil: tendências e movimentações de empregos”, essa perda de empregos não foi homogênea: o ano de 2020 terminou com saldo de empregos negativo para mulheres e pessoas de mais idade (a partir de 36 anos), enquanto homens e jovens professores (até 35 anos) tiveram saldo positivo.
Com a retomada das aulas presenciais no início de 2021, a incidência de COVID-19 passou a ser maior entre professores e professoras frente à população geral, segundo estudo realizado pela Rede Escola Pública e Universidade (Repu). Dentre profissionais do setor educacional, a incidência da doença foi 2,92 vezes maior (ou 192% maior) que a registrada entre as pessoas de 25 a 59 anos no estado de São Paulo.
Apesar das instabilidades e superexposições à COVID-19 às quais está submetida essa categoria profissional, os cursos de graduação na área da educação mantiveram alta demanda em 2020. Conforme dados do Censo da Educação Superior (Inep) naquele ano, cursos nesta área do conhecimento representaram 19,3% das mais de 8 milhões de matrículas realizadas no país, ficando atrás somente das áreas de negócios, administração e direito (30,4%) e saúde e bem-estar (19,4%). Importante destacar que 9,4% do total de matrículas no país era para o curso de pedagogia – o mais demandado em 2020.
Profissionais do ensino representam um grupo bastante expressivo, em termos de número de trabalhadores e trabalhadoras atuantes no Brasil. A Relação Anual de Indicadores Sociais (RAIS) apontava a existência de 2,3 milhões de vínculos empregatícios na categoria em 2020, sendo que, deste total, 1,7 milhões (72%) eram de mulheres. Essa disparidade de gênero fica ainda mais evidente quando avaliada por nível de ensino: na educação infantil e no ensino fundamental, as mulheres representam 82% do total do quadro docente.
Ainda que sejam maioria entre profissionais do ensino, a remuneração nominal das mulheres é relativamente menor quando comparada à dos homens, conforme dados da RAIS. Em média, a remuneração dos professores era de R$5.181 em 2020, enquanto a remuneração das professoras estava próxima de R$4.079 (o equivalente a 78,7% do montante recebido pelos homens). A maior parte dos profissionais da educação encontra-se na faixa etária de 40 a 49 anos: são 822 mil professores e professoras dentro desse intervalo etático. Em seguida, estão as faixas de 30 a 39 anos (658 mil profissionais) e de 50 a 64 anos (605 mil pessoas).
Um aumento na disponibilidade de recursos (financeiros e não-financeiros) para o setor educacional é essencial para garantir a renda, a qualidade de vida e a dignidade de nossas educadoras e educadores. Investir nas trabalhadoras e trabalhadores da educação é melhorar o rendimento escolar de crianças e adolescentes para que toda a sociedade possa desfrutar de um futuro melhor, mais justo e mais igualitário.
