Cuidar de si, dos outros e das comunidades é um trabalho realizado todos os dias por pessoas que possuem outras ocupações profissionais. Para que as pessoas possam realizar o trabalho de cuidado que precisam para si e suas famílias e para que mulheres não sejam sobrecarregadas e penalizadas profissionalmente por realizar esse trabalho, empresas precisam fazer sua parte. 

Incentivar o reconhecimento e favorecer a redistribuição do trabalho de cuidado devem ser prioridades nos planos de promoção da diversidade e inclusão corporativos. Isso é essencial para garantir as condições materiais para que mulheres avancem no mundo do trabalho e para combater a desvalorização do trabalho de cuidado. 

O relatório “Tackling Childcare: A guide for employer supported childcare”, publicado em 2017 pela International Finance Corporation (IFC, organização que faz parte do World Bank Group), constatou que empresas e organizações que apoiam o cuidado de crianças pequenas filhas e filhos de seus funcionários e funcionárias podem, ao mesmo tempo, contribuir para o bem-estar e desenvolvimento de crianças; promover a participação de mulheres na força de trabalho e a equidade entre homens e mulheres; melhorar a retenção de talentos; aumentar a diversidade e inclusão; fortalecer a produtividade e, ainda, incidir positivamente no status socioeconômico das comunidades, entre outros benefícios.  Mais especificamente, os estudos de caso do relatório, que pode ser encontrado aqui, mostram que empresas que têm políticas de apoio ao cuidado com crianças:

 – São procuradas por candidatos e candidatas mais qualificados e preenchem suas vagas com mais facilidade. Essas políticas ajudam, inclusive, a recrutar mulheres em áreas de trabalho que não são tradicionalmente femininas;

 – Reduzem a rotatividade de funcionários e, consequentemente, os custos com o treinamento de novos funcionários;

 – Têm aumento da produtividade em razão da redução do absenteísmo, aumento do foco, motivação e compromisso;

 – Experimentam aumento da diversidade da força de trabalho e liderança, com maior participação de mulheres.

A Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal compilou algumas experiências interessantes de políticas corporativas que promovem a primeira infância (documento disponível aqui). Elas incluem:

 – Extensão da licença paternidade e maternidade, nos termos do programa Empresa Cidadã ou mesmo além;

 – Flexibilidade do horário de entrada e saída do trabalho;

 – Apoio, inclusive financeiro, para trabalho remoto;

 – Educação, treinamento e recursos para os cuidados com filhos e filhas, para homens e mulheres.

Recomendações elaboradas por UNICEF, OIT e ONU Mulheres para empregadores e empregadoras no contexto da pandemia da COVID-19 (disponível nesse link) destacam a importância de arranjos flexíveis de trabalho para que mulheres não sejam ainda mais sobrecarregadas nesse momento. Flexibilidade de horas de trabalho, de licenças e mesmo de locais de trabalho ou funções e responsabilidades são fundamentais para que mulheres e outras pessoas que desempenham funções de cuidado não tenham sua trajetória profissional interrompida em função da crise sanitária.