A eclosão da pandemia de COVID-19 no Brasil jogou luz sobre a importância que os trabalhadores e trabalhadoras da área da saúde têm na nossa sociedade. Essas pessoas se expuseram diariamente a um possível contágio pelo novo coronavírus para preservar outras vidas e manter o bom funcionamento de nosso sistema de saúde. Ainda que sintam o peso das responsabilidades sobre suas costas em longas e incansáveis jornadas de trabalho, as formações e contratações de profissionais da área mantêm tendência de alta. 

O Censo da Educação Superior de 2019, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), aponta que o número de matrículas nos cursos da área da saúde e bem-estar continua bastante representativo quando comparado ao total de matrículas em cursos de graduação no Brasil em 2018: 17,8% dos alunos e alunas ingressantes optaram por esta área do conhecimento; a demanda somente é menor que a dos cursos da área de negócios, administração e direito (30,9%) e da educação (19,3%).

A evasão escolar continua sendo um problema crítico em nosso país e afeta todas as áreas do conhecimento. No entanto, a distribuição percentual das conclusões dos cursos de graduação é bastante desigual quando desagregada por gênero. Em 2019, 73,8% das pessoas que concluíram cursos de graduação na área da saúde e bem-estar eram mulheres. Em contrapartida, elas representavam somente 13,6% dos concluintes na área de computação e tecnologias da informação e comunicação. 

Essa discrepância de gênero nos cursos de graduação, de certa maneira, é carregada para o mercado de trabalho. Dentre profissionais e técnicos de nível médio das ciências biológicas, da saúde e afins, a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) 2020 apontava a existência de aproximadamente 2,5 milhões de vínculos empregatícios no país, sendo que 74,7% deles eram de mulheres. Dentre as cinco ocupações nas quais o percentual de mulheres é mais representativo, três são da área da saúde: fonoaudiólogos (94,0% de mulheres), nutricionistas (93,8%) e terapeutas ocupacionais (91,4%).

Ainda com relação a profissionais e técnicos das ciências biológicas e saúde, 51,4% das pessoas possuíam título de graduação, mestrado ou doutorado e 48,6% haviam completado somente até o ensino médio. Segundo levantamento do DIEESE, a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD-C), 19% dos técnicos de enfermagem de nível médio possuíam ensino superior completo, mesmo que a ocupação não demande esse nível de instrução. 

Apesar de mais escolarizadas e mais atuantes na área da saúde, as mulheres são menos remuneradas que os homens. A remuneração média nominal das mulheres profissionais das ciências biológicas, da saúde e afins era de R$5.325, enquanto a dos homens correspondia a R$6.911. Ou seja, a remuneração média das mulheres equivalia a 77,0% da remuneração dos homens. A diferença também é notória entre os técnicos de nível médio dessa área de atuação: na média, mulheres foram remuneradas em R$2.298; homens em R$2.787.

Em termos etários, a distribuição de profissionais e técnicos entre as faixas de idade diverge substancialmente. A maior parte está concentrada na faixa de 30 a 39 anos (36,1%), em seguida estão as faixas de 40 a 49 anos (27,3%) e de 50 a 64 anos (16,8%). Pessoas com mais de 65 anos na área da saúde representam 2,07%. Do lado dos jovens, 5,6% possuem 18 a 24 anos e 12,1% estão na faixa de 25 a 29 anos. 

Percebe-se, pelos dados apresentados, a existência de uma diversidade considerável entre os trabalhadores e trabalhadoras da saúde que precisa ser levada em conta na definição de políticas para essa categoria. É importante que se pense em ações para diminuir a lacuna salarial por gênero e para quebrar barreiras sociais e culturais que impedem que o número de homens em determinadas ocupações dessa área seja mais representativo.