Vieses inconscientes são, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho, associações mentais não intencionais e automáticas sobre pessoas e/ou grupos sociais, originados em tradições, normas, valores, cultura e/ou experiência.

Podemos pensar nos vieses inconscientes como um “hábito” mental de fazer certas associações. O problema é que, muitas vezes, essas associações são feitas com base em estereótipos negativos de gênero, raça, etnia, ou sobre a orientação sexual e identidade de gênero das pessoas. 

Um exemplo prático: quando temos um homem e uma mulher se candidatando para uma vaga, é possível que uma série de vieses inconscientes afetem a escolha de recrutadores. Recrutadores podem ter a impressão de que o candidato homem é mais comprometido com o trabalho, pois sua avaliação da candidata mulher é afetada pelo viés inconsciente que informa que o trabalho é preocupação secundária das mulheres. Ou ainda, recrutadores podem interpretar a assertividade da candidata mulher como agressividade e atribuir um valor negativo para essa característica, enquanto a assertividade do candidato homem pode ser avaliada como essencial para funções de liderança, em conformidade com os estereótipos de gênero.

Ou seja, mesmo que não seja deliberado, os vieses inconscientes informam nossas relações interpessoais, profissionais e os processos de tomada de decisão pessoais e corporativos. Eles moldam, também, as normas, práticas e cultura das empresas e organizações.

Os vieses inconscientes cumprem um propósito social perverso: eles ajudam a manter uma estrutura social injusta e excludente, na qual mulheres, pessoas negras, pessoas LGBTQIA+, pessoas com deficiência e outros grupos são mantidos em posição de subordinação.

Podemos nos tornar agentes que reproduzem, por meio de nossos hábitos mentais e comportamentos, determinadas lógicas estruturais que excluem e discriminam pessoas por suas características, mesmo sem pensar ou agir deliberadamente para isso. Para que isso ocorra, basta agir com base em estereótipos e permitir que os vieses inconscientes informem nossas decisões. 

Para romper com essa estrutura, é preciso agir: traçar, implementar e monitorar planos de promoção da igualdade, entender e atuar sobre as raízes da desigualdade. Essa jornada pode começar na compreensão e análise dos vieses inconscientes e sua relação com as desigualdades.