Empresas e organizações podem desempenhar múltiplos papéis na promoção da diversidade, inclusão e equidade. Nesse post, vamos falar daquele que talvez seja o mais relevante: o papel das organizações e empresas como empregadoras. Dados da PNADc do 4o trimestre de 2020 mostram que 46,3% das pessoas ocupadas eram empregadas do setor privado e 14,1% no setor público. Dessa forma, podemos afirmar que a grande maioria da população do país seria afetada de maneira positiva caso as empresas e organizações colocassem a promoção da equidade em relação a suas práticas e políticas internas e cultura organizacionais entre suas prioridades de negócios.
Práticas, políticas e cultura organizacionais se moldam mutuamente, reproduzindo desigualdades estruturais caso não sejam desenhadas com o objetivo explícito de garantir igualdade de oportunidade e tratamento. Em outras palavras: as desigualdades da sociedade – sejam elas desigualdade de gênero, raça, e discriminações em razão de sexualidade, identidade de gênero, idade, entre outras – são reproduzidas nos processos seletivos, nas promoções, nos orçamentos, e nos costumes e hábitos das empresas e organizações, a não ser que estas decidam avaliar e modificar suas práticas, políticas e cultura organizacional para promover a diversidade, inclusão e equidade.
Podemos perceber de forma muito evidente como as empresas e organizações reproduzem as desigualdades da sociedade quando olhamos para a desvalorização do trabalho de cuidado e a posição das mulheres no mundo corporativo. A naturalização do trabalho de cuidado como feminino produz, ao mesmo tempo: a desvalorização da mulher profissional (por possuir ou pela expectativa de que possuam características ou comportamentos que são associados à capacidade de cuidar do outro); a desvalorização de habilidades associadas ao cuidado; e a sobrecarga de trabalho não remunerado das mulheres.
As empresas e organizações reproduzem a desvalorização do trabalho de cuidado e a discriminação contra a mulher quando: definem que suas vagam devam ser preenchidas por pessoas que demonstrem características estereotipicamente masculinas; valorizam principalmente profissionais que trabalham como se não tivessem responsabilidades de cuidados; permitem que que a discricionariedade para processos e promoções sigam excluindo mulheres e pessoas negras, por exemplo; entre muitos outros exemplos.
A discriminação contra as mulheres resultante desse processo é patente: apenas 37,4% dos cargos de liderança no setor público e privado eram ocupados por mulheres em 2019; a taxa de participação das mulheres na força de trabalho era de 54,5% contra 73,7%; entre mulheres de 25 a 19 anos vivendo com crianças até 3 anos de idade, apenas 54,6% estavam ocupadas com trabalhos remunerados, enquanto 67,2% de mulheres na mesma faixa etária sem filhos tinham ocupação remunerada.
As empresas e organizações que perpetuam essas desigualdades também são prejudicadas: perdem talentos e oportunidade de inovar, sofrem desgaste de imagem, são menos produtivas e se desconectam de suas comunidades, consumidores e colaboradores.
Agir para promover a equidade, diversidade e inclusão está ao alcance das empresas e organizações. É preciso comprometimento para avaliar práticas, políticas e cultura organizacional, disposição para construir um ambiente inclusivo e vontade de contribuir ativamente para a promoção da equidade. A partir de um diagnóstico de equidade, diversidade e inclusão, é possível desenhar planos de promoção da equidade, com metas e indicadores adequados, bem como preparar e implementar treinamentos que apoiem a liderança, gerentes e demais colaboradores para a promoção da equidade nas empresas e organizações. Para esses e outros desafios, as empresas e organizações podem contar com a Cuidemos.
