Os cuidados reúnem um conjunto de atividades fundamentais para a sustentabilidade da vida. Inclui o cuidado das pessoas: de si, de crianças, pessoas idosas, doentes, e todos e todas aquelas que necessitam de cuidados. Inclui também os afazeres domésticos: limpar a casa, preparar alimentos, pensar sobre as compras de supermercado, organizar a rotina da família. Quando falamos de cuidados, estamos falando de trabalho, e de um trabalho fundamental para a existência da humanidade.

O trabalho de cuidado garante que as pessoas tenham suas necessidades básicas atendidas; que as empresas tenham trabalhadores e trabalhadoras prontos para a produção; que o Estado tenha cidadãos e cidadãs preparados para participar da vida pública. Ele garante a reprodução da força de trabalho, é fundamental para o funcionamento da economia e para o bem estar da sociedade. Podemos afirmar, sem exagero, que o trabalho de cuidado movimenta o mundo.

Os cuidados na promoção da equidade, diversidade e inclusão

A responsabilidade pelo trabalho de cuidado é tradicionalmente atribuída às mulheres. A crença de que os cuidados são uma habilidade natural das mulheres é tão enraizada que molda culturas, instituições, famílias, políticas, orçamentos públicos e o funcionamento de empresas e organizações. Na maioria das vezes, o trabalho de cuidado sequer é visto como trabalho. É excluído dos sistemas de contas nacionais e dos cálculos do Produto Interno Bruto (PIB).

Gráfico em barras horizontais compara o trabalho de cuidado no mundo com o PIB das principais economias globais. A simulação aponta que se todo trabalho de cuidado do mundo fosse realizado por um único país, cuja economia estivesse ancorada exclusivamente em cuidados, este país hipotético teria o terceiro maior PIB do mundo em 2011.

Os cuidados na promoção da equidade, diversidade e inclusão

A responsabilidade pelo trabalho de cuidado é tradicionalmente atribuída às mulheres. A crença de que os cuidados são uma habilidade natural das mulheres é tão enraizada que molda culturas, instituições, famílias, políticas, orçamentos públicos e o funcionamento de empresas e organizações. Na maioria das vezes, o trabalho de cuidado sequer é visto como trabalho. É excluído dos sistemas de contas nacionais e dos cálculos do Produto Interno Bruto (PIB).

Gráfico em barras horizontais compara o trabalho de cuidado no mundo com o PIB das principais economias globais. A simulação aponta que se todo trabalho de cuidado do mundo fosse realizado por um único país, cuja economia estivesse ancorada exclusivamente em cuidados, este país hipotético teria o terceiro maior PIB do mundo em 2011.

As consequências dessa lógica são perversas:

lnvisibilização dos cuidados

Trabalho de cuidado, seja ele realizado de forma remunerada ou não remunerada, é invisibilizado

Perpetuação de estereótipos

Estereótipos sexistas e racistas que dificultam a inserção profissional das mulheres são fortalecidos

Desvalorização dos cuidados

Habilidades profissionais e interpessoais associadas ao cuidado e o setor econômico dos cuidados é desvalorizado

lnvisibilização dos cuidados

Trabalho de cuidado, seja ele realizado de forma remunerada ou não remunerada, é invisibilizado

Perpetuação de estereótipos

Estereótipos sexistas e racistas que dificultam a inserção profissional das mulheres são fortalecidos

Desvalorização dos cuidados

Habilidades profissionais e interpessoais associadas ao cuidado e o setor econômico dos cuidados é desvalorizado

Discriminação no trabalho

Políticas e práticas corporativas e laborais reproduzem a discriminação de pessoas que têm responsabilidades sobre os cuidados, em especial mulheres

Falta de financiamento público

Orçamentos, políticas e programas não levam em consideração a demanda por cuidado e reforçam as desigualdades entre homens e mulheres

Discriminação no trabalho

Políticas e práticas corporativas e laborais reproduzem a discriminação de pessoas que têm responsabilidades sobre os cuidados, em especial mulheres

Falta de financiamento público

Orçamentos, políticas e programas não levam em consideração a demanda por cuidado e reforçam as desigualdades entre homens e mulheres

Média de horas semanais dedicadas aos afazeres domésticos

Brasil, 2019

21horas

Mulheres

11horas

Homens

Fonte: IBGE – Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios (PNAD)

É preciso desenhar e implementar políticas e ações para combater os efeitos discriminatórios da desvalorização dos cuidados. Apenas colocando os cuidados no centro das discussões sobre diversidade, inclusão e equidade poderemos criar formas inovadoras de reconhecer, redistribuir e reduzir o trabalho de cuidado realizado por mulheres, criando condições para a igualdade efetiva entre homens e mulheres em todos os espaços.

Por que os cuidados são importantes para empresas e organizações?

A diversidade da força de trabalho é um fator essencial para melhorar a produtividade e o êxito das empresas e organizações. Uma força de trabalho diversa reflete distintos pontos de vista e proporciona um ambiente corporativo e laboral rico e aberto a ideias inovadoras. Empresas e organizações que desfrutam de boa reputação por seu ambiente diverso e inclusivo, aumentam suas possibilidades de atrair e reter talentos, além de ampliarem sua participação no mercado entre consumidores e consumidoras com diferentes características e trajetórias.

Não há como promover a equidade, a diversidade e a inclusão nas empresas e organizações sem a adoção de programas e ações de apoio aos cuidados. Eles são centrais para proporcionar uma gestão interna equilibrada das responsabilidades profissionais e das responsabilidades de cuidado e evitar o enorme desperdício de força de trabalho e de talentos, especialmente de mulheres.

Por que os cuidados são centrais para ações de responsabilidade social corporativa?

Programas e projetos de responsabilidade social corporativa que pretendam contribuir de forma efetiva para o desenvolvimento das comunidades precisam ser construídos de forma participativa, com foco nas pessoas e considerando as necessidades de cuidado das comunidades e das famílias. Considerar os cuidados como aspecto central da relação que empresas e organizações estabelecem com seu entorno, tem o potencial de gerar um impacto social positivo, alinhado com a promoção do desenvolvimento sustentável, da equidade e da justiça social.

Por que políticas públicas de apoio aos cuidados são tão fundamentais?

Gráfico em linhas compara a taxa de participação no mercado de trabalho de homens e mulheres entre os anos de 2012 e 2019. Apesar da pequena queda na diferença entre as taxas durante este período, a participação masculina é de aproximadamente 20 pontos percentuais maior que a feminina.

Uma melhor gestão do trabalho de cuidado demanda uma melhor distribuição de responsabilidades por sua realização. As políticas públicas de apoio aos cuidados são o mecanismo por meio do qual o Estado participa dos cuidados, reduzindo a pressão sobre as famílias e, especialmente, sobre as mulheres. Em um cenário de ausência de políticas públicas de cuidado, as estratégias para conciliar as responsabilidades pelos cuidados e a presença no mercado de trabalho desempenhando uma atividade remunerada recai sobre as famílias, sobre as pessoas, e, especialmente, sobre as mulheres.

Essa necessidade de conciliar trabalho remunerado e trabalho não-remunerado de cuidado cria enormes dificuldades e barreiras para que as mulheres ingressem no mercado de trabalho, nele permaneçam e progridam. Essa lógica, além de afetar diretamente as mulheres e suas famílias, tornando-as mais vulneráveis à pobreza e aprofundando desigualdades sociais, também tem impactos no nível macroeconômico, pois provoca um desperdício de força de trabalho, especialmente feminina, afetando a produtividade e a competitividade dos países, e debilitando suas trajetórias de crescimento econômico e desenvolvimento social.

Gráfico em linhas compara a taxa de participação no mercado de trabalho de homens e mulheres entre os anos de 2012 e 2019. Apesar da pequena queda na diferença entre as taxas durante este período, a participação masculina é de aproximadamente 20 pontos percentuais maior que a feminina.

Uma melhor gestão do trabalho de cuidado demanda uma melhor distribuição de responsabilidades por sua realização. As políticas públicas de apoio aos cuidados são o mecanismo por meio do qual o Estado participa dos cuidados, reduzindo a pressão sobre as famílias e, especialmente, sobre as mulheres. Em um cenário de ausência de políticas públicas de cuidado, as estratégias para conciliar as responsabilidades pelos cuidados e a presença no mercado de trabalho desempenhando uma atividade remunerada recai sobre as famílias, sobre as pessoas, e, especialmente, sobre as mulheres.

Essa necessidade de conciliar trabalho remunerado e trabalho não-remunerado de cuidado cria enormes dificuldades e barreiras para que as mulheres ingressem no mercado de trabalho, nele permaneçam e progridam. Essa lógica, além de afetar diretamente as mulheres e suas famílias, tornando-as mais vulneráveis à pobreza e aprofundando desigualdades sociais, também tem impactos no nível macroeconômico, pois provoca um desperdício de força de trabalho, especialmente feminina, afetando a produtividade e a competitividade dos países, e debilitando suas trajetórias de crescimento econômico e desenvolvimento social.

Por que gerar informações e conhecimento sobre os cuidados é importante?

Gerar informações e conhecimento sobre os cuidados é o caminho para demonstrar sua contribuição fundamental para o funcionamento da sociedade e para a economia. É central para visibilizar os cuidados e promover seu reconhecimento como um trabalho que garante a sustentabilidade da vida e a existência da sociedade, e que tem uma contribuição econômica significativa. Fortalecer o debate sobre os cuidados é também um caminho para a promoção de uma ética da solidariedade e para a construção de uma sociedade que cuida. É fomentar ações que coloquem as pessoas e a vida no centro na agenda.

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